quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Mochilão 2008 - Dia 11

Pelas montanhas, rumo à antiga ditadura


Acordei ainda de madrugada, o sol nem havia nascido e eu com todo o cuidado do mundo tirava minhas coisas devidamente arrumadas do quarto para a sala, em silêncio e sob a luz do display do celular para não acordar os demais companheiros de quarto. Tomei café e pedi um taxi, paguei as contas e ainda cumprimentei o German que acordara cedo para ir ao banheiro. Mendoza iria deixar saudades, mas também frustrações, grande parte delas de minha inteira responsabilidade. Um sentimento de comodismo não me fez buscar mais diversão, talvez motivado pelo peso da grana que gastara em Buenos Aires, a falta de pessoas que gostavam realmente de se divertir e a calmaria da cidade refletida nas siestas diárias justamente nos horários em que eu preferia caminhar pela cidade... Bem, creio que esse sentimento não terminaria com Mendoza mas novos horizontes estavam por vir e eram neles que minha mente estava focado agora.
Comprei a passagem e entrei no ônibus sob o céu laranja do amanhecer. Poderia ter viajado pela madrugada, 7 horas de ônibus saindo na calada da noite poderiam me economizar uma diária e a experiência bem sucedida entre Buenos Aires e Mendoza serviriam de motivação. Porém, outras aspirações me fizeram optar por perder metade de um dia dentro de um ônibus. Das muitas dicas de viagem que havia coletado, uma delas falava sobre a vista fantástica de cruzar os Andes dentro de um ônibus, ou carro, e essa vista seria difícil durante da madrugada valendo assim uma travessia diurna pela estrada. Seu início me era familiar, fora o caminho até a base do Rios Andinos, empresa de rafting no dia anterior e inclusive passei por ela. Houve um acidente na estrada, logo no começo, que fez a viagem aumentar em 1 hora. Dois policiais mortos em uma perda de rumo na estrada que terminara com a viatura destruída no acostamento – Triste - Estava eu de pé vendo o movimento de viaturas e carros passando e o ônibus parado na estrada. O frio dos Andes naquela hora da manhã era grande e a neblina intensa. Seguida a viagem, terreno montanhoso e muitas curvas, descidas e subidas, por muitas vezes em zigue zague, não tirava os olhos da paisagem, montanhas gigantescas que pareciam não ter fim. Como minha fiel companheira de colo estava o vinho de 90 pesos como bagagem de mão para evitar surpresas de maleiros descuidados. O tempo passava rápido, a paisagem me entretia, era deslumbrante a vista dos Andes de dentro dos Andes. Estações de esqui desativadas no verão, estações de eletricidade, linha de trem, influências antrópicas eram inevitáveis naquela natureza gigantesca. E quem imagina que natureza eram só arvores e cachoeiras concluía que também existe beleza natural em meio a pedras e gelo.





Parando na Alfândega chilena, o clima super frio do lado de fora do ônibus enquanto aguardávamos autorização para entrar informava que eu havia escolhido roupas inadequadas para a viagem. A alfândega era uma estrutura com um grande portão que criava um ambiente agradável internamente, deixando do lado de fora o frio que ainda estava longe de ser um verdadeiro frio de inverno, a neve era vista apenas distante, no topo das montanhas, algumas caindo lá de cima derretendo com o crescente calor do dia que surgia. Mas a frieza não só vinha das gélidas montanhas, como também do interior dos guardas. Demora, troca de cartão de imigração, instruções sobre alimentos que não poderiam entrar no Chile, contrabando, coisas do tipo. As malas foram retiradas para passar pelo raio X e cães farejadores vasculhavam nossas mochilas em busca de artefatos ilegais, tudo isso sob olhares cerrados, autoritários e julgosos. Depois de tanto tempo seguimos viagem, já em solo chileno, percorrendo o restante dos Andes que ainda estavam à frente, aos poucos surgiam vilarejos e casas de veraneio. As montanhas iam ficando para trás e a expectativa da chegada a Santiago era grande, mas muito chão ainda vinha pela frente. A graça de toda viagem já passara e agora circular entre conjuntos habitacionais e áreas industriais estava enfadonho. Não pude distinguir o momento exato, mas um determinado momento percebi que já estava em Santiago do Chile, chegando à estação de ônibus e na expectativa de pisar em solo chileno pela primeira vez.
Na estação peguei a mochila e dei algumas voltas, as vezes passava pelo mesmo lugar, como se estivesse fazendo um reconhecimento de campo, ou mesmo vendo como a dinâmica daquela nova cidade funcionava. Estava com medo de pegar um taxi, pois todas as coisas que ouvira sobre os taxistas chilenos falavam de sua malandragem. Às vezes as pessoas perguntavam se eu precisava de ajuda, eu negava não dando muita atenção. Logo identifiquei como chegar ao hostel pelo metro, que tinha uma estação bem perto. A propósito o metrô de Santiago é algo que merece destaque e essa opinião não é apenas minha. O metrô de Santiago é limpo, organizado, pontual, abrange toda a cidade e, assim como toda a rede de transporte da cidade, é impecável. Grandes avenidas bem sinalizadas, com faixas de ônibus exclusivas que também eram organizados e limpos, e o metrô era agradabilíssimo de andar. Ao descer na estação Los Heroes, cheguei ao meu mais novo endereço: o Che Lagarto Santiago.
Se hospedar em um Che lagarto dava desconto de 10% para se hospedar em outro e os preços do Che que já eram convidativos tornavam a estadia mais econômica ainda. O novo Che lagarto em que estava era mais limpo e confortável do que o de Buenos Aires, sua área era mais ampla e possuíam serviços que não tinham no anterior como lavanderia e aluguel de toalha. Esse última de suma importância pois minha toalha estava molhada desde Mendoza por ter estendido a mesma e uma maldita chuva ter deixado ela mais encharcada do que antes. E por falar em toalha eu realmente precisava de um bom banho e era isso que eu faria. A recepcionista super simpática e atenciosa mostrou-me todo o hostel, suas acomodações e salas, o quarto onde dormiria e os beliches de metal pesado que não rangiam quando alguém subia nele. A única desvantagem do hostel era a falta do Pub que tinha no de Buenos Aires, onde a possibilidade de interação com demais mochileiros era maior. De toalha alugada e mochila acomodada sobre a cama, vinhos devidamente arrumados principalmente o de 90 pesos que viajou em meus braços como uma criança de colo durante a travessia da cordilheira, agora era hora de um super banho. Banheiro grande, água morna e 1 hora de sabonete, xampu, tudo o que tinha direito inclusive abusar do tempo, coisas que os cartazes na parede pediam que não acontecesse. Meu pequeno sabonete já estava terminando e eu precisaria comprar mais. Abrindo um parênteses sobre esse sabonete, algumas táticas de viagem que tentei aplicar nessa não estavam dando certo em sua totalidade, uma delas era a meu kit de higiene pessoal altamente compacto. Tudo o que eu precisava para a viagem procurei reduzir ao máximo: escova de dentes pequena, sabonete de motel (2 unidades), shampu 2 em 1, também de motel, uma escova de cabelo daquelas que literalmente cabiam na palma da mão e um frasco de perfume de amostra grátis. Todo o kit estava atendendo aos requisitos de compatibilidade e usabilidade, exceto o mau dimensionamento da quantidade de sabonetes e o fato de ter ignorado um alicate de unha. Iniciar a viagem com as unhas devidamente cortadas, em meus planos, daria para viajar durante 16 dias e não me incomodar com elas, porém as mesmas já estavam medianamente grandes e a pele das pontas dos dedos grossa e incomodava muito, talvez o clima tenha contribuído para tal, mas aquilo me incomodava. Os sabonetes estavam no fim e pelo visto seria necessário comprar um novo. Dados estes serviriam para melhor dimensionar as próximas viagens. Após o grande banho desci para dar uma volta.
Já era meio de tarde e não tinha muito que ver. Peguei um mapa que na verdade era uma fotocópia de um original no balcão do hostel e sai rua acima. A máquina necessitava urgente ser carregada mas a entrada da tomada do Chile é diferente da Argentina, logo teria que comprar um novo adaptador pois o de Buenos Aires agora não me servia de nada. Já havia marcado de encontrar com algumas pessoas de encontrar previamente durante minha estadia em Santiago e isso minimizava a sensação da dificuldade que teria em construir um novo ciclo de amizades. Uma delas era a Hilda, grande amiga minha de Natal que estava em Santiago a trabalho naquela semana. Outra era a Elaine que eu havia conhecido no Orkut na época das pesquisas da viagem e que estaria em Santiago na exata semana em que eu, vinda da Nova Zelândia e na seqüência iria para fortaleza, sua terra Natal. Por último o Cristian, o chileno de Buenos Aires, que disse a poucos dias do meu retorno que estaria em sua cidade no período em que eu estava por lá, e que poderíamos prolongar as farras da capital portenha em terras chilenas. Sai para usar uma lan house e fazer alguns contatos e encontrei a Elaine na internet, me dizendo que tinha chegado no hostel no horário marcado, mas que eu não estava lá. Pedi para ela voltar e, após alguns e-mails, voltei e me encontrei com ela.
Aproveitamos a luz do sol, apesar de ser aproximadamente 18:00, fizemos um city tour relâmpago ainda perdido pela nova cidade, perdemos um certo tempo caminhando em direção oposta até acertar onde ficava a Plaza de las Armas. Na área central de Santiago ficavam a grande maioria das atrações urbanas da cidade. Museus, praças, área de convício social, enfim, uma boa caminhada já traduzia para os olhos e demais sentidos dos turistas toda a realidade social, cultural e profissional da cidade, bem como a dinâmica destes. Uma dezena de monumentos de importância histórica para a cidade de Santiago ficavam nessas redondezas, inclusive a sede do governo chileno, o Palácio de la Moneda que tem esse nome porque já foi a casa da moeda chilena mas agora é a sede do governo Chileno. Muitos militares nas ruas refletiam a recente ditadura chilena, que terminara em 1990 após 17 anos sobre a mão de ferro de Pinochet. Logo na seqüencia estava a Plaza de Las Armas, local de descarregamento de frutas e enforcamento de criminosos no passado, hoje abrigava diversas manifestações culturais, pintores, artistas de rua e simpáticos velhinhos jogando xadrez em uma espécie de associação onde qualquer um poderia disputar uma partida a um custo que não me recordo no momento. Uma apresentação de luta oriental, grupo musical indígena eram algumas das manifestações do cotidiano Santiaguense. O entorno da praça abrigava diversos prédios importantes da cidade, como a prefeitura, a catedral metropolitana, correio central e museu histórico nacional. A mais interessante, e porque não perigosa, característica das ruas nessas redondezas é a falta de meio fio, fazendo com que passagem de pedestres e calçadas fiquem no mesmo plano, fazendo com que desorientados corram o risco de serem atropelados. Entramos em uma igreja mais afastada e tiramos algumas fotos. Seguimos na esperança de conhecer o mercado municipal de Santiago, muito citado nas minhas pesquisas, mas que infelizmente já estava fechado porém comemos um tradicional empanada, típico pastel chileno cujo recheio era bem mais generoso do que o famoso pastel de vento brasileiro. Haviam de vários sabores, queijo, carne, frango e até mesmo marisco. A venda onde comemos a empanada lembrava em muito das bodegas do Recife, vendia todo tipo de gêneros alimentícios, bebidas e comidas de botequins. O dono, bem como os freqüentadores, muito simpáticos e curiosos sobre nossas origens brasileiras, logo nos orientavam sobre assaltos e demais cuidados em terras chilenas. Fomos mais atrás do mercado e vimos algo que parecia ser uma estação de trem abandonada e, ao longe, o Morro Santa Lucia. Seguimos de volta ao Hostel por outra rua e paramos em um supermercado para comprar coisas. Um novo sabonete era fundamental para corrigir meu mau dimensionamento dos sabonetinhos trazidos do Brasil. Garrafão de água para me sustentar nos próximos 5 dias, macarrão... algumas coisas básicas e a Elaine comprou coisas que também lhe interessavam. Como o Che lagarto ficava no caminho do Hostel da Elaine, nos despedimos na porta deste e combinamos o roteiro do dia seguinte, bem como dois demais dias.
Cheguei ao hostel, cansado e pronto para cair na cama. Havia um atendente no hostel chamado Luah que era brasileiro e DJ, super gente fina e de boa conversa, fiquei trocando uma idéia com ele e mais duas pessoas antes de me deitar, uma delas uma argentina cujo nome não lembro mas que estava na cidade para ir a um casamento da família, cujos pais iriam chegar no dia seguinte e estava na capital chilena por antecipação para aproveitar mais. Cansado, fui a cama, era o melhor a se fazer.


Notas:

Cordilheira dos Andes

Chile

Che Lagarto Santiago

Santiago

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Mochilão 2008 - Dia 10

O dia em que um pen drive quase acaba com o Rafting


Esse era o dia de mais um grande objetivo da viagem ser comprido. Havia reservado um passeio para fazer rafting no pé da cordilheira e acordei ancioso naquela manhã. Tomei café e aproveitei o tempo para acessar a internet e enviar algumas fotos. Guardei as garrafas de vinho e arrumei a mochila no armário de forma bem cuidadosa, afinal de contas minha curta jornada em Mendoza estava chegando ao fim, aquele seria o último dia em terras Argentinas e na manhã seguinte estaria seguindo viagem para o Chile. Minha condução chegou, da mesma forma com o motorista e um guia, porém o espírito era outro. O motorista de intitulava “El pirata” pois andava com um lenço na cabeça, e o guia era bem descontraído. O grupo não era composto de jovens em sua maioria. Abaixo dos 30 anos apenas tinha eu e dois garotos de aspecto europeu. Todos os outros eram argentinos, mas a idade não era determinante no entusiasmo. Os portenhos compostos por 2 casais eram animados e de espírito jovem. Ao grupo também existia uma americana, de aspecto latino, que durante todo o percurso até o posto de esportes radicais estava lendo um livro de Jorge Amado, em inglês, cujo título não me recordo (creio ser capitães de areia). Durante a viagem uma lembrança péssima: eu havia esquecido o pen drive com o primeiro lote de fotos da viagem descarregada da maquina no computador
– E se alguém levar o pen drive eu perderia todas as minhas primeiras fotos – Pensei desesperado.
Nossa, como aquilo havia morgado de forma parcial minha ida aos Andes. Pensei o dia todo sobre aquilo mas procurei me tranqüilizar pois nada poderia ser feito até eu voltar e constatar o sumiço ou sua presença. Essa era uma das táticas que eu havia adotado para poder tirar fotos e mais fotos, além de fazer vídeos da viagem. Se por ventura perdesse a maquina, ou deletasse sem querer as fotos dela, teria o primeiro lote a salvo, porém esse primeiro lote agora estava em perigo pois o gerente de risco que mora na minha cabeça não havia mensurado esse risco.
Ao longo do caminho, muitas risadas e entrosamento entre os portenhos e os guias, coisa que acabara de excluir parcialmente os demais, claro que de forma não intencional. O brasileiro em questão, os galegos de aspecto europeu e a americana com cara de latina ficavam apenas observando as conversas sem entender a fundo e rindo de forma simpatica e sociabilista. Por algum motivo eu não conseguia me expressar em espanhol, não sei se o sotaque me fazia entender menos ou algum outro fator, e o que havia sido motivo de maior abordagem social em Buenos Aires acabou se tornando motivo de exclusão em Mendoza. Porém voltei as origens dos primeiros dias da viagem fui me esforçando com a linguagem universal da mímica, tentando me fazer entender.

Chegando na estação ao pé da cordilheira dos andes, o guia havia me dito que o passeio que eu desejava não haviam mais interessados, apenas eu. Havia optado por um rafting mais longo, de 3 horas de duração o qual um dus criterios que o guia se utilizava para me fazer desistir dessa aventura solitaria era de que exigir muito esforço físico, coisa que minha modéstia ignorava. Porém pelo mesmo preço eu poderia fazer o passeio mais curso, de 1 hora com os demais da turma, e um treeking pela montanha. Apos alguns portunhois e mímicas topei a empreitada, afinal de contas flexibilidade faz parte de um roteiro de viagem.
O local era bem agradável e parecia ter saído de algum filme de aventura. O frio era forte na área e fazia algo em torno de 12 graus, sem falar que as águas do rio Mendoza, caudalosas e fruto do degelo das montanhas, estavam a 8 graus. O estúpido aqui foi de bermuda e botas e tremia até o tutano do osso. Aguardamos os preparativos, comi um sanduíche e desisti dos esforços de entender o que tanto os portenhos conversavam. Fui dar uma volta e tirar umas fotos, com a cabeça ainda no pen drive rezando para o santo protedor dos usuários de informática descuidados que protegesse meu pequeno datatraveler de pessoas inescrupulosas que talvez não soubessem o valor sentimental daquele pequeno item.
Todos prontos, devidamente vestidos com as roupas especiais, hora de ir para o ponto de saída. Fomos além do acampamento, creio que uns 8 Km acima, um grupo de motoqueiros estilo americano passa por nós, além das montan has e do rio Mendoza para complementar a paisagem. Paramos em um ponto e avistamos ao longe 3 mamíferos da mesma família dos lhamas, mas me asseguraram que não eram lhamas apesar da forte semelhança. Recebemos as instruções e nos dividimos em dois botes.
- Listos?? Adelante ??
Esse era o comando básico. Seguíamos remando forte para desviar das correntezas, depois parávamos e nos saudávamos com os remos. Uma pequena disputa era criada com o outro bote, para ver quem chegava primeiro, sem falar em que cada ultrapassagem era regada com água gelada do rio Mendoza nos oponentes. A paisagem era deslumbrante, A adrenalina alta o frio intenso, tanto que tive que trocar o remo de cabo de alumínio por um emborrachado, pois meus dedos estavam cadavericamente roxos. O medo de cair dentro do rio também era uma constante, apesar das instruções de segurança dadas, as águas ferozes do rio davam a entender que qualquer instrução de segurança seguida à risca seria inútil. No melhor do rafting o pior aconteceu: Com tanto esforço para as remadas senti um estralo intenso na coluna e uma dor na base dela, fruto da patologia que vinha se arrastando desde o último dia de Buenos Aires. Sentei no fundo do bote e sinalizei que estava com dor. Sensação duplamente horrível, a dor era grande e estava a perder meu rafting que por tanto tempo havia planejado. Esse sentimento de perda iminente e arrependimento posterior profundo me deram forças para ignorar as reclamações constantes do meu organismo e seguir. Sentei novamente na borda do bote e remei bastante, menosprezando as pontadas na coluna. Sempre em frente, ou “adelante”, remamos forte a favor da correnteza, desviando de pedras, redemoinhos e mesmo do outro bote. Por um momento o companheiro de bote logo a minha frente, em um momento muito voraz do rio, caiu nas águas geladas e um desespero instantâneo tomou conta de todos, principalmente dele. Logo apenas sentamos preocupados e buscamos refletir as normas de segurança para resgatá-lo, ele também teve essa consciência abrindo os braços e procurando boiar enquanto remávamos em sua direção – Não olhe para a luz – Gritava o instrutor, fazendo todos rirem e absorver um pouco de tranqüilidade dentro da situação. Resgatamo-lo e comemoramos muito, com o tradicional cumprimento com os remos para o alto. Chegamos exaustos de volta ao posto, felizes e animados, conversando muito sobre os eventos.
Sentamos no bar da base para conversar um pouco, trocar de roupa e sair para o trekking. Boa parte da turma, exclusivamente os portenhos, participou da caminhada. Seguimos após alguns instantes a caminhada morro acima, por dentro de um duto de água e depois por entre vales e leitos de riacho seco, a coluna estava dura de tanta dor que ainda me acometia. Subimos um morro onde do alto se avistava a vastidão da cordilheira, o rio Mendoza, os trilhos do trem, a base de esportes radicais e a estrada que cruzava a cordilheira. O Pirata, sempre animado, falava coisas divertidas, por muitas horas não interpretáveis por mim, mas todos riam muito. No alto do morro uma conversa descontraída, sobre o que não sei, mas me esforçava para entender. Todos tomando mate, inclusive eu experimentei um pouco, me pareceu agradável mas estranho para um primeiro gole. Era uma coisa que se via com freqüência entre os portenhos e mesmo os mendocinos, todos adoravam mate, sempre levavam um pote com a erva, outro com açúcar e uma garrafa termina, que muito se vendia nas ruas de Buenos Aires e que em Recife só havia visto em lojas japonesas a preços triplamente maiores.


A lógica do mate era simples: em terras frias, a bebida quente ajudava a regular a temperatura do corpo, além do gosto agradável para o paladar dos sul-americanos de terras frias. Existe o nosso Chimarrão, do sul do Brasil, que se não for a mesma bebida com um nome diferenciado, é um irmão americano de grande proximidade.
Voltando para a base, o grupo conversava bastante até o momento do retorno. A relação entre a minha pessoa e os portenhos era estranha, pois senti que eles gostavam da minha presença, que parecia gostar das mesmas coisas que eles, mas que por divergências lingüísticas estava com dificuldade de se comunicar, por outro lado também tive a impressão que a queda do companheiro do bote ter sido ocasionada por mim, por uma remada mau sucedida, e que alguns olhares que interpretei como sendo de reprovação me foram direcionados mas no geral gostei da alegria daquele grupo. Eram casais de idade média de 40 anos, mas com espírito jovem, que gostavam de viajar com suas esposas e maridos para fazer atividades diferenciadas da rotina de suas vidas as margens do rio da prata.
Todos devidamente alojados na van, regresso para o hostel. Ainda a coluna doía e a preocupação com o pen drive também. Os casais estavam marcando de fazer um luau na base à noite, comprariam cervejas e combinaram com o Pirata para ir. Não me manifestei. Aqueles dias em Mendoza estavam sendo muito metódicos e estava com medo de perder o horário da viagem para o Chile no dia seguinte. Creio ter perdido uma boa festa, uma boa oportunidade de ter mais contato com aquele pessoal. Mas infelizmente nunca saberei.
Chegando no Hostel, hora de arrumar as malas. Algumas roupas que não secaram foram ensacadas para não molhar as demais e o banho que ainda não tomara iria esperar para o Chile. Haviam algumas pessoas no hostel e sentei com elas para conversar, ainda não tivera contato com elas e pelo visto eram exatamente como eu imaginada: peregrinos que apenas estavam de passagem e não curtia atividades capitalistas como sair para bares e boates. A Mariana e o German desceram e ofereci um dos vinhos para eles como forma de despedida. Tomamos eu e a Mariana, o German nos acompanhou na conversa. Foi meio triste, mas o vinho afogava as mágoas. Me despedi dos amigos Neuquenses e já mentalizando futuras viagem ao sul da argentina no futuro para rever os colegas. A Mariana era dançarina e tinha se interessado pelo Forró, que eu falara e mostrei em alguns vídeos do youtube.
E o pen drive??? Ahhh, ele estava lá no computador quando tinha chegado do Rafting. Felicidade plena e agora teria que dormir para chegar cedo a estação de ônibus e ir para mais uma cidade, ou melhor, para um novo pais: o Chile.

Notas:

Rafting

trekking

Rios Andinos - Empresa de esportes radicais

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Mochilão 2008 - Dia 09

Nasce um enófilo

Acordei meio quebrado, ainda com a dor nas costas da caminhada do último dia em Buenos Aires, estava preocupado com a hora do tour dos vinhos que havia separado para aquele dia. Tomei café e aguardei a van vir me buscar. Eu já havia tido os primeiros contatos com vinhos durante a minha viagem. Em alguma das conversas de fim de tarde no Pub do Che Lagarto, perguntei sobre vinhos a algumas pessoas e fiz algumas anotações, além de ter tomado algumas garrafas com Marcela e Carla, mas aquele dia seria inteiramente para me aprofundar sobre essa bebida que impulsionava o turismo da região e agradava os paladares de pessoas ao redor do mundo. Essa importância ficou mais latente na festa do dia anterior, a celebração maior cuja cidade havia parado para apreciar. E não é que na televisão, em um programa tipo "Ana Maria Braga" de Mendoza, estava lá a nova Rainha dando entrevista e tomando café da manhã?
Chegando a condução a van tinha seu motorista, claro, e uma guia e o veículo já tinha alguns turistas que iriam participar do passeio, além de mais alguns outros que iríamos buscar em outros hotéis e pousadas. No caminho para nosso destino inicial, a guia explicava sobre o vinhos, os tipos, quantas vinícolas existiam em Mendoza (quase 900). Nossa primeira parada foi em uma vinícola de produção familiar. Fomos recebidos com uma senhora de sorriso largo e muito simpática, esposa do proprietário, que nos mostrou todo o processo de produção de seus vinhos, desde a colheita nos vinhais até o engarrafamento. Interessante processo, cuidadoso e curioso. Fomos ao subsolo onde ficavam os barris de carvalho onde alguns dos melhores vinhos produzidos ali ficavam apurando seu sabor durante um ano. Na seqüência tivemos uma aula de degustação, provamos alguns vinhos da vinícola e aprendemos a avaliar suas características de cor, odor e sabor. Ao final tínhamos um tempo para comprar algumas garrafas de vinhos na lojinha da vinícola. Estava com um pouco de receio em gastar tanto dinheiro mas não me contive e comprei algumas garrafas de vinho e uma do melhor vinho de lá, cuja entrega seria feita no próprio hostel. Dando continuidade ao passeio fomos a uma vinícola cuja produção era mais industrializada. Conhecemos o processo do começo ao fim na mesma filosofia do anterior, apenas sendo o processo mais mecanizado. Explicações por vezes repetidas mas também com novos conteúdos que iam agregando mais eno-conhecimento. Novamente tivemos uma aula de degustação e nova parada para comprar vinhos na lojinha. A essa altura do campeonato eu já estava com diversas garrafas prontas para degustá-las ao longo da viagem e ao regressar para casa, presenteando assim meus pais que eram enófilos e iriam adorar vinhos de tamanha qualidade. Regressei mais cedo do que imaginava e aproveitei para dar uma caminhada na cidade.

Exacerbações patrióticas a parte, todo brasileiro gosta de levar no peito a bandeira ou o mapa do Brasil na camisa, alguns mais exagerados gostam de carregar bandeiras enormes como se estivessem nas olimpíadas de fato representando seu país. Sem beirar o exagero, eu havia comprado uma camisa, ainda no Brasil, que tinha não só o mapa do meu país, mas também um “X” sobre a o Recife, de forma tal que eu poderia mostrar onde eu morava as pessoas que fizessem cara de desdém quando eu falasse o nome da minha cidade natal. O que parecia ser uma forma não exagerada de levar meu país no peito se mostrou uma idéia um pouco perigosa em duas situações. Em uma delas, neste mesmo dia, eu estava caminhando pela rua quando um cara de aspecto estranho se dirigia para mim perguntando onde era a praça da independência. Quando eu disse que ela ficava atrás dele, ele continuava perguntando e vindo na minha direção. Aquela situação estranha me fez falar em tom mais forte: “detras de usted, bien?! E o camarada meio desconcertado deu meia volta e seguiu. Bom, até ai talvez nenhuma relação com minha camisa, mas quando parei para comer um cachorro quente , um cigano parou do meu lado e perguntou se eu era brasileiro. Desconversei e virei o rosto. Esse mesmo cigano havia tentado me abordar um dia antes mas, como eu estava caminhando, dei meia volta. Coincidentemente encontrei o German e a Mariana enquanto comia e conversamos um pouco, programando algo para fazer, enquanto o cigano abordava uma pessoa que estava comendo em outra mesa. De alguma forma na qual não entendi bem, o cigano persuadiu o turista, pegou seu dinheiro e o turista saiu furioso com o mesmo. Naquele momento decidi seguir caminhando com meus amigos para o destino a qual eles iriam. Andamos cidade acima e fomos ao aquário municipal, ver peixes. A programação não só parecia bucólica demais como a maioria dos peixes eram brasileiros, os quais não me impressionavam. Na seqüência fomos a um reptiário, ver répteis. Essa parte da história também não é tão merecedora de descrição.
Voltamos caminhando pela cidade e conheci melhor sua história. Mendoza ficava numa região onde os terremotos eram constantes e muitas de suas construções histórias haviam sido demolidas por esse fenômeno da natureza. Demos uma passada na rodoviária para que meus amigos comprassem antecipadamente suas passagens de volta pra casa, e voltamos para o hostel.
As pessoas do hostel, em sua maioria eram peregrinos, pessoas de passagem que viviam pelo mundo mais pelo prazer da viagem do que de curtir o lugar. Não havia pessoas como o Cristian que gostavam de uma balada, e pelo visto meus dias em Mendoza não seriam agitados. Sai a noite com o German e a Mariana para jantar em um restaurante mexicano, conversamos um pouco e bebemos. A certa altura da noite, eu e a mariana, os únicos que bebiam do trio, estávamos perguntando como se falavam algumas palavras de baixo calão na língua do outro. Muitos risos e descontração, o German participava da conversa de forma mais contida. Voltamos para o Hostel e fui direto para a cama. Vale salientar que eu estava para alcançar mais um índice olímpico: o de mais dias sem tomar banho.

Notas:

Site sobre vinhos

Guia de Vinhos em Mendoza

Bodega e Viñedos Cavas de Don Arturo (não possui website)
Franklin Villanueva, 2233 - Lunlunta - Maipú
Mendoza - Argentina
Tel: 0261-4963858
154538854 - 154540843
e-mail:cavasdonarturo@yahoo.com.ar

Bodegas e viñedos Carmine Granata

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Mochilão 2008 - Dia 08

Despertar Mendocino


Meus olhos se abriram com uma certa dificuldade. O sol se mostrava ainda omisso mas alguns raios resplandeciam no horizonte e eles me mostravam o que o mundo todo lembra quando se ouve em falar na província de Mendoza: seus vinhais. Eram grandes e bem cuidados, pareciam não ter fim. Viajar pelo nordeste brasileiro em meios de transporte terrestre trazia as vistas uma paisagem de plantações e mais plantações de cana-de-açucar e essa mesma sensação eu estava tendo viajando pelas estradas de Mendoza, apenas trocando o produto plantado. À medida que o sol raiava a silueta da Cordilheira dos Andes se apresentava na paisagem como grandes protuberâncias gananciosas em serem primeiramente iluminadas pelos raios solares da manhã. Fantástica combinação! Os Andes ao fundo e os vinhais percorrendo a linha da minha visão. Só essa visão já iniciava com satisfação um dos principais motivos da minha visita à Mendoza: Conhecer seus vinhos e a cordilheira dos Andes.
O primeiro dia de estadia seria destinado apenas ao city tour. Um dia livre para conhecer a cidade e retomar a tarefa de fazer amigos e sair para novos lugares. Importante decisão deixando em aberto a agenda para possíveis empecilhos na viagem, que até o presente momento estava perfeita e superando qualquer expectativa inicial.
Chegando a rodoviário comprei logo um jornal para me interar sobre a cidade. Grande surpresa, aquele dia seria o dia da maior festa da cidade, a Vindimia 2008, algo como a festa da uva e do vinho. O jornal separava páginas e mais páginas para falar do festival que já tinha eventos ocorendo nos últimos 3 meses e naquele dia seria a festa maior, onde seria escolhida a Rainha da Vindimia 2008 em um grande espetaculo de show e dança.
Peguei um taxi e descobri que meu espanhol ficara em Buenos Aires: O sotaque espanhol nas regiões distantes do rio da prata é diferente e acaba por dificultar o meu entendimento. Novo hostel a vista, minha nova moradia seria a Huellas Andinas, opção feita devido ao forte apelo esportivo presente nas minhas pesquisas. De cara não gostei muito do hostel, mas depois teria certeza de que não era mesmo uma boa opção. Minhas reservas não estavam 100% confirmadas e tive sorte de me hospedar pois haviam vagas no local. A receptividade, diferente do Che Lagarto, não era calorosa e os quartos eram muito apertados. Logo cedo tomei café da manhã, as pessoas do Hostel ainda não tinham acordado exceto um cara chamado German, de aspecto magro e com óculos, que me pediu o jornal para dar uma lida. Entrei um pouco na internet e fiquei a pensar o que fazer naquele dia, consultando mapas e entrando em alguns sites. O German me disse que haveria um desfile diurno da Vindimia, a menos de uma quadra dalí, com todas as candidatas a Rainha daquele ano, um verdadeiro desfile de colírios e exacerbação enófila que remetia Mendoza. Durante a conversa chegou a Mariana, amiga do German, de estatura baixa e cabelos cacheados e ruivos bem intensos, para com os quais me ofereci para fazer companhia em ver o espetáculo na rua, no maior estilo cara de pau da cultura mochileira. Os dois eram da Província de Neuquén, mais ao sul da Argentina mas faceando a cordilheira também, davam aulas em uma faculdade e estavam em Mendoza para o festival. Do jeito que eu estava, com a roupa da viagem de 11 horas durante a noite, sem falar no dia anterior perambulando pelas ruas de Buenos Aires, segui em condições de higiene questionáveis para apreciar o festejo.
Gente de todas as idades, dos 30 aos 70 anos, algumas crianças e jovens claro, mas a maioria pessoas da meia vida pro fim. Guardas de trânsito, reporters de jornais, tudo para um festejo que seria a prévia da noite que estava por vir. Logo procurei me informar da dinâmica do evento: cada rainha representava um “departamento” da província de Mendoza, como assim eram divididas as provinciais argentinas. Cada rainha oferendava aos “súditos” o produto característico de seu departamento, em sua maioria uvas, mas também tinham maças, peras e melhões, que eram arremeçados para as pessoas que estavam em volta do desfile, com exceção do melão por motivos óbvios. Algumas pessoas criavam um dispositivo composto de cabo de vassoura com um balde no topo que servia para pegar a fruta diretamente da mão da rainha, ou de uma de suas auxiliares.

O desfile era grande e bonito, chegava a enfadar mas não por culpa da demora e sim do meu cansasso. Havia apresentações de carros antigos, gauchos, danças do ventre, grupos peruanos, colombianos, uruguaios... uma variedade imensa. Carros da prefeitura distribuindo camisinhas, até mesmo algumas rainhas “alternativas” digamos, Rainha da água, rainha da terra, até rainha travesti... tinha lugar para todas as dinastias, até mesmo para um grupo de protestantes que reclamavam da instalação de uma mina nas proximidade de uma fonte de água que abastecia a cidade que, digo de passagem, ficava no meio de um deserto. Coisa que até aquele momento eu não entendia: como Mendoza ficava no meio de um deserto e era puro verde, com ruas bastante arborizadas? A explicação estava em um eficiente sistema de canaletas que circulavam por toda a cidade e drenavam a água do degelo noturno do topo das montanhas. Nevava no pico durante as madrugadas e o gelo derretia durante o dia. Essa água escoava e descia pelas canaletas, alimentando todos os seres vegetais e animais da região.
Depois do desfile fomos dar uma volta para comer pela cidade. Nossa, cidade super esquisita. Parada com todos os estabelecimentos fechados. Era a siesta, coisa que nunca tinha visto na prática e que estava odiando. Depois do almoço todos fecham as portas e vão dormir, só reabrem as 17:00. Dei um passeio nas ruas e logo voltei pra casa na esperança de ainda ter um ingresso para a festa maior que acontecedia à noite. Doce ilusão, os ingressos que já estavam sendo vendidos faziam 3 meses estavam esgotados. Pensei em desistir, mas toda a cidade estaria la e eu não queria estar de fora do evento. Decidi ir com meu novo par de amigos, arricar a sorte por la, apesar de que eles já haviam se precavido e comprado os ingressos, tinha plena certeza que a função de cambista não era uma ideia exclusivamente brasileira. Fui tomar banho para sair, banheiro horrível, pequeno, com pouca água que escorria pelas paredes. Pouco funcional, não tinha onde pendurar as coisas e já estava começando a pegar abuso daquele lugar. Banho de gato tomado, hora de ir para o festival.
O lugar ficava em um espaço entre alguns morros chamado “teatro grego”. Era grande e especialmente planejado para grandes eventos como este. O acesso era feito por ônibus preferencialmente, com os quais seguimos viagem. Durante a caminhada, comprei a um cambista o ingresso, mais caro lógico, mas comprei. O ingresso que comprara, de cor verde, me daria acesso a ala menos nobre do evento, no fundão longe do palco, ao contrário dos de German e Mariana de cor roxa que ficava logo de frente ao palco. Infelizmente nos separamos e eu teria que ver o show sozinho. Sentei um pouco e fiquei vendo a movimentação inicial. Pouco tempo depois a Mariana apareceu do meu lado, disse que havia conseguido uns convites da ala roxa com um pessoal do departamento de Tunpugato, que estavam lá para torcer para a anfitriã de sua terra. – Jeitinho brasileiro na argentina? – Pensei, e pelo visto a Mariana era boa nisso. Logo e já estava com a torcida de Tunpugato, uma turma de pessoas composta em sua maioria de pessoas acima dos 30 anos, e uma animação mais contida do que a dos brasileiros com a qual estou acostumado. A única bebida alcoólica que vendia era vinho, em garrafas pequenas e práticas próprias para esse tipo de evento. Após alguns vinhos, começaram as apresentações. Primeiramente um dançarino cuja função maior era animar o público, dançando com uma parceira. – eso es Salsa – Me orientava a Mariana sobre o ritmo. – ahora es tango eletrônico –
???????
Tango eletrônico? Nunca ouvi falar, nem ouvi ouvir. Mas parecia legal.
Depois música para todos dançarem. Salsa, ritmos caribenhos, pagode..... isso mesmo, musica brasileira da pior qualidade, mas o pessoal me transformava no centro das atenções quando começou a tocar. Logo na seqüencia, Asa de Águia e a dança do vampiro.... mais de mil kilômetros de distância e a globalização me trazia essas músicas. Bem, muitas pessoas adoravam e dançavam e eu aproveitava a animação em geral. Tanto que muita gente subiu ao palco e a Mariana me arrastou para lá. Ao final da parte interativa da festa, começavam as apresentações. Show de música e dança, encenações que mais pareciam abertura de jogos olímpicos ou mesmo do criança esperança. Não encarem as comparações como deboche, pois o espetáculo era muito belo, impressionante e grandioso. Luzes, música, teatro e mais de 800 bailarinos dançando sincronizadamente em um cenário grandioso e bem produzido. E pensar que nada daquilo estava no meu roteiro de viagem.
Ao final a eleição da rainha da uva. Voto a voto as torcidas gritavam freneticamente aguardando o resultado final. E a campeã , adivinhem só: foi a rainha de tunpugato.
- Brasileiro pé quente !!! – pensei. E a festa estava garantida com a torcida a qual eu participava.
Fim de festa, a multidão voltando para seus carros ou para pegar os ônibus. Caminhada leve e com destino ao coletivo em meio a multidão. De volta ao albergue, buscar minha cama no meio do quarto escuro e pequeno, amotoado de beliches e lençois maucheirosos, sem banho para não tem que encarar aquele banheiro horrível mais uma vez. Para a minha sorte o cansaço era mais forte que tudo isso.








Notas:

Mendoza

Huellas Andinas Hostel

Vindimia 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Mochilão 2008 - Dia 07

difícil roteiro a seguir

Ressaca novamente, com ela veio o atraso para o último dia de aula. Daria tempo de comer no hostel e me despedir de algumas pessoas. A viagem deveria seguir seu roteiro, porém havia gostado muito da semana em Buenos Aires e era triste deixar tudo para trás. Mochila arrumada e devidamente instalada nas costas, me despedi do José ainda no dormitório, acordando e me desejando boa viagem. Já havia pego o contato dele e de alguns que conheci ao longo dessa semana. Fiz minha refeição e paguei minha conta onde constava as estadias e os diversos chopps tomados nos 8 dias e fui para a aula já sem intenção de voltar para o Che Lagarto. Não programei nada para aquele dia, apenas seria destinado a viagem para Mendoza, nunca se sabe de possíveis imprevistos e preferi não arriscar um dia livre seria ótimo para fazer o que vier na telha.
Fui à aula e, após as últimas atividades em sala, tiramos fotos e recebi meu certificado. Tarefa cumprida que aliara viagem de férias a melhoramento profissional, isso era bom em todos os sentidos e me fazia feliz em ter tornado a viagem benéfica para minha pessoa em diversos aspectos, principalmente pessoal e profissional. Me despedi da Mariah ainda no IBL, que teria que ir ao Hostel para resolver algumas pendências particulares e sai para almoçar com o Eric. Conversamos um pouco no almoço onde comi mais um prato feito sem lógica para meus conhecimentos culinários brasileiro: purê com frango. Algo sem explicação para mim que como no mínimo feijão, arroz e carne, sem falar quando acompanha salada, purê, batata frita.... enfim, gastronomias a parte saimos do restaurante e me despedi do Eric também, deixando as portas de recife abertas para futuras visitas. Ele deu um largo sorriso e foi embora em meio ao rush da capital argentina. Triste dia....
Passei o dia perambulando, caminhei por algumas ruas, acessei a internet... de interesse turístico apenas visitei o predio da faculdade de engenharia de Buenos Aires, não tanto de interesse turístico mas uma curiosidade particular. Prédio imponete, bonito, respirava história e em muito lembrava uma faculdade de direito com seu aspecto grego, de pilares enormes. A caminhada ao longo do dia me custou um incoveniente na coluna que resolvi indo logo para a Rodoviária para não abusar muito dela. Fato curioso: nesse dia teria o show do Iron Maiden e, no caminho, passei na frente do hotel onde eles estavam hospedados, lotado de fãs na porta. Passagem comprada, aproveitei a demora para fazer algumas ligações ao Brasil e mesmo para buenos aires: Liguei para me despedir da Carla, a qual passaria mais uma semana estudando espanhol e que acabamos nos desencontrando na segunda parte da semana em que estive na capital portenha. Mais um embarque a vista e mais uma cidade a frente do roteiro, minha noite seria dentro de um ônibus, durante 11 horas ao longo da noite, uma economia de diária do albergue a qual estava com receio de não ser válida. Uma possível poltrona desconfortável poderia fazer o barato sair caro.
A empresa que havia escolhido era a Andesmar, depois de muitas sugestões na internet. Apesar de ser uma das mais caras preferi não arriscar. Valeu a pena: Poltrona confortável, uma semi-cama onde dava para esticar as pernas de forma bem satisfatória. 3 refeições ao longo da noite, além de um bingo e um filme para descontrair. As refeições eram muito boas, porém estranhas para meu paladar tupiniquim. No bingo não fui felizardo com o vinho de prêmio e o filme, apesar de ruim, era divertido para uma viagem de ônibus. Demorei a dormir, mas dormi. Sono tranquilo e confortável, apenas a coluna ainda reclamar do dia de andanças e o problema que eu ainda teria com ela estava longe do que poderia imaginar.

Dados:

Faculdade de engenharia de buenos aires

Viação Andesmar

Critica do filme: No pique de nova york - Filme do ônibus

Site sobre dor nas costas

sábado, 9 de agosto de 2008

Mochilão 2008 - Dia 06

Um ponto distante chamado maradona

Difícil acordar, pior ainda ter descoberto que havia perdido a hora. Tomei um banho nas pressas e comi no hostel.
- Maldita ressaca - Pensei.
Atrasado estava eu, sai correndo para a IBL para ver o resto da aula, não perdi tanto assim, mas detestava ter planejando tanto tempo uma viagem na qual estudar era uma das principais tarefas e não estar cumprindo. Bom, acho que estava exagerando, deveria curtir ao máximo a viagem, afinal de contas quando viria novamente pra cá? Encarando dessa forma a ressaca ficava mais leve. Aula difícil de levar pra frente, mas mantive meus olhos abertos com ajuda do café.

Na programação da quinta feira estava reservada uma visita mais detalhada ao bairro da Boca. Nesse dia, minha programação despertou interesse de Eric e Mariah e os dois resolveram me acompanhar. Seguimos de ônibus para lá, nada dificil. A Boca é um bairro que, por sua localização próxima ao porto, foi habitada por muitos estrangeiros que chegavam para trabalhar. O bairro possui duas grandes atrações: O estádio do Boca Juniors (La Bombonera), time com maior quantidade de torcedores da Argentina e conhecido por serem absurdamente fanáticos por futebol, e o Caminito, onde parte do bairro foi restaurada. O Caminito tem uma característica peculiar: as casas são contruídas com tábuas de madeira, placas e telhas de metal e pintados com muitas cores, isso porque, quando os estrangeiros - principalmente espanhóis e italianos - construíam suas casas, usavas as tintas que sobravam dos navios do porto para pintá-las.
Caminhamos pelas ruas do bairro, compramos alguns suvineirs e paramos para um almoço. Quando havia estado no bairro no domingo anterior (DIA 02), as poses de tango me custaram 10 pesos. No restaurante onde comemos tinha um show de tango muito legal com cantor, dançarinos e instrumentistas, e as poses de tango estavam inclusas no valor da refeição, ou seja, minha burrada me fez desperdiçar 10 pesos. Muito legal o almoço, a música e os dançarinos também estavam impecáveis.



Haveria um jogo do Boca Juniors naquele dia e estar no bairro onde foi fundado o time mais tradicional da argentina me despertou uma vontade de ver a partida. Havia um passeio turístico no hostel para o jogo e passei a dica para o casal de amigos, que acataram-na. Decididos a ver o jogo, fomos comprar algumas camisas do time e seguimos para o hostel de Eric e Mariah, para que os mesmos se arrumassem. Aproveitei esse tempo para dar um passeio no mercado de San Telmo, que ficava bem na frente do hostel deles. Foi lá que descobri o quanto os argentinos gostam de velharia, a tirar pela feira de San Telmo, o mercado tinha várias vendas que disponibilizavam todo e qualquer tipo de velharia para compra. Bem simples, não vinha a ser um ponto turístico relevante, mas uma rápida visita valia a pena, principalmente quando se espera os amigos tomarem banho. Fomos para o Che lagarto e lá já estavam algumas pessoas aguardando para ir também. O Cristian e o Jonas Vannay, um Suiço super gente fina, iriam também além de algumas caras conhecidas de meu convivio mochileiro que estavam no ônibus: gente do curso de espanhol e mesmo a canadense que fora minha parceira de Tango tinham o mesmo destino. Devidamente fardados de “hinchas boquenses” eu e Eric, acompanhado dos demais seguimos o passeio até La bombonera e, após revistas, detectores de metais e escadarias, nos acomodamos nas arquibancadas. Na argentina não é permitido bebidas alcóolicas nos estádios e na casa do Boca Junios, apenas se consumia sanduiches e Coca-cola. A propósito a Coca-Cola é o patrocinador oficial do Boca Juniors, cujo campo tem sua fachada decorado com o nome do patrocinador, porém não na cor vermelha tradicional, e sim na cor preta, porque o vemelhor é a cor do arque-time rival, o River Plates. A arquibancada era super inclinada dando maior proximidade do campo (o estádio todo era compacto para aproveitar o pouco espaço disponível na época da construção) e a arquibancada era super apertada. Assistia-se ao jogo de pé, sentar era apenas possível no intervalo, e mesmo assim essa tarefa deveria ser executada assim que fosse apitado o final do primeiro tempo, pois não sobraria espaço para descanso. O jogo seria Boca x Atlas pela Copa Santander Libertadores da América e o campo estava lotado, a torcida organizada do Boca Juniors, a La Doce, não parava de cantar. Eles tinha esse nome porque se consideram o 12º jogador em campo, não por menos. Levavam o time pra frente cantando sem parar diversas músicas, algumas debochando inclusive do River Plate, e para frente mesmo foi o time ganhando de 3 a 0 do Atlas. Para prestigiar o jogo estava lá Maradona em seu camarote, torcendo freneticamente pelo time que lhe projetou cuja devoção pelo craque é grande. Para meus olhos Maradona não passava de um ponto distante acenando para a multidão, cuja localização foi ajudada pelos torcedores que estavam ao meu lado. Programa caro, tendo em vista que o ingresso custava 24 pesos porém o passeio turístico com o ingresso custava 100 pesos, mas que valia muito a pena, até mesmo para pessoas como eu que detestam futebol.
De volta para o Hostel, hora de dar uma geral na mochila. Roupas sujas, jogadas, carregador de maquina fotográfica solto, toalha... todos nos seus devidos lugares. Deveria deixar tudo organizado para seguir viagem no dia seguinte pois minha estadia em Buenos Aires estava chegando ao fim. Ainda me restava uma noite e, como sempre, o Cristian tinha uma programação certa. Depois de mochila e mochileiro devidamente arrumados, guardei minha companheira de viagem e desci para me encontrar com o Cristian. Havia um grupo de pessoas,não me lembro a nacionalidade, que iriam dividir o taxi conosco. Fomos até o quarto deles aguardar alguns se arrumarem e tomar uma antes de sair. Até hoje gostaria de ter aprendido aquilo, mas a turma jogava baralho cujo objetivo era sempre beber. E não era apenas um jogo e sim vários. Dependendo das cartas que se tirava, tinha que beber, ou virar, ou beber sem parar até que o companheiro parasse primeiro, enfim... Bebi uma garrafa de vinho em menos de 10 min, um índice olímpico!
Depois de todos prontos e “afinados”, pegamos um taxi para o 69 Club. A princípio uma boate como qualquer outra, mas que depois se mostraria mais um local surpreendente da capital portenha. Algumas garrafas de espulmante e vinhos depois, vejo um grupo caracterizado entrar no recinto e se dirigir para o palco na frente da pista de dança. Bem cômicos mas com certo apelo erótico, o grupo fazia encenações em palco de forma bem descontraia, sensual e dançante. O mais legal é que a medida que a noite ia passando, as apresentações iam ficando mais “calientes” e culminavam um strip-tease sensasional. Engana-se quem só tinha homens na boate, haviam mulheres e muitas, em nada a boate lembrava uma casa de serviços sexuais. Os homens babavam e as mulheres se divertiam, tudo na maior descontração. Fim de noite, de volta pra casa. Ainda paramos em uma lanchonete que, a propósito, existem em várias nas noites abertas para servir esfomeados baladeiros. Comemos alguns cachorros quentes, com molhos que só tinha visto mesmo por lá. Via-se ao longe o obelisco, único monumento que optei por não visitar por julga-lo não merecedor de um tempo até mesmo pelo fato de ter passado várias vezes de taxi ao seu lado e crê que já havia visto suficiente.
De volta para o hostel, sem mais nem longas, cama e “buenas noches”.

Notas:

Boca Junior







Club 69



sábado, 19 de julho de 2008

Mochilão 2008 - Dia 05

A irmã da torre Eiffel

Depois da rotina de aula diurna, me planejei para a tarde ir para o lado de Palermo, bairro mais afastado para atividades de andarilho mas ainda no, digamos, “centro de interesse turístico” de Buenos Aires, parte da cidade onde se concentravam 90% das atividades de interesse dos turistas (vale lembrar que esse termo não é universal, acabei de inventar). Antes disso fui almoçar com o pessoal do curso. São vários os atrativos gastronômicos de Buenos Aires e escolher olhando um guia turístico por vezes apenas mais confunde do que esclarece. Eu já havia desistido e escolher um punhado de restaurantes para visitar e iria tentar na sorte. E foi ela que me levou ao Café Tortoni, Café mais tradicional da capital portenha. Por indicação de Eric e Mariah fomos até la e vejo que me arrependeria se soubesse como era e não tivesse ido. O lugar não só é um bom restauraute, ele respirava história e fora frequentado por grandes nomes da boemia portenha, dentre eles Carlos Gardel e Jorge Luis Borges. Além do mais um bom restaurante não era sinônimo de alto preço, mais pelo poder aquisitivo que a moeda brasileira me proporcionava do que pelo custo de vida argentino. Um bom almoço com bife de chorizo não saiu por mais de 50 pesos, o único preço que tivemos que pagar caro foi esperar na fila para entrar, mas nada que não valesse a pena. A decoração do ambiente remota dos tempos de sua inauguração que, a propósito, tem 150 anos de vida.
Com caminhos opostos dos demais amigos, minha tarde turística seria solitária. Após a refeição segui de metrô para Palermo. Ainda não havia andando no metrô e descer escadas rolantes para acessar esse meio de transporte era pra mim apenas coisas de filme (Recife tem apenas metrô de superfície). Meio sujo porem eficiente, já estaria em Palermo poucos minutos depois pronto para visitar alguns lugares. O primeiro da lista era o Jardim botânico, bem no meio da cidade, abriga Mais de 8000 espécies vegetais de todo o mundo. Uma estufa subtropical foi criada para abrigar as variedades mais exóticas. Foi inaugurado em 1898 e é considerado a obra máxima do arquiteto e paisagista francês Carlos Thays. Casais de idosos levando seus netos para passear, namorados, amigos de passagem, gente sentada embaixo das árvores e um clima bem úmido cercavam o local. Local agradabilíssimo para uma caminhada, não só o jardim botânico, mas o bairro de Palermo era bastante arborizado e com diversos parques. Segui para o zoológico de Buenos Aires e as constantes ameaças de chuva ao logo dos dias se tornaram concretas. Choveu forte e isso me obrigou a aguardar um pouco para entrar no zoológico. 15 minutos de espera e 14 pesos depois eu já estava dentro do segundo zoológico mais visitado do mundo. Além da grande variedade de animais provenientes da Argentina e de outros países, o Zoo de Buenos Aires está muito bem cuidado e sempre tem atrações para as crianças. É subdividido de forma que cada grupo animal de uma determinada região do planeta tem seu espaço bem identificado. África, china.... é como dar a volta ao mundo em um safari. O mais curioso é que você pode alimentar alguns animais com uma ração que é vendida dentro do parque, óbvio que leopardos, tigres e outros pouco amistosos estão de fora dessa lista. Caminhada interessante, bom programa para crianças e turistas curiosos como eu. Já eram quase 05:00 da tarde e precisei agilizar para mais uma atração, o Jardim Japonês. Pelas fotos que vi parecia ser um lugar bastante agradável e bonito, pena que tive que ficar apenas com a visão das fotos, o parque fechara exatamente as 17:00 horas e não pude fazer a visita. Uma espiada por cima do muro foi a única coisa que consegui fazer. Uma pena, não teria mais tempo para ver o parque nos próximos dias.
Segui de volta para o hostel, mas antes uma parada no mercadinho para comprar algumas coisas, vinho, água... Chegando lá, o pessoal de sempre estava no pub, tomando cerveja e conversando. A essa altura do campeonato o meu espanhol já estava melhor, e o inglês também devido ao convívio com Eric e Mariah e essas habilidades linguisticas me davam maior abrangencia social. Haviam grupos de mochileiros de lingua inglesa e grupos de mochileiros de lingua hispânica, e eu era amigo de todos. Nessa noite tinha muita gente reunida e a conversa rolava solta, regada a muito choop. Naquele dia Cristian tinha uma nova programação: O After Office do Museum. O Museum é uma boate muito legal, está situada num casarão projetado por nada mais nada menos que Gustave Eiffel, o mesmo que deu seu nome e sua arquitetura a famosa torre francesa. A casa que no passado era uma fábriba de ferramentas e moinhos era grande, tinha 3 andares e toda estrutura metálica refletia sua irmandade com o monumento da frança. Todas as quartas rolava uma festa chamada “after Office” que começava as 10:00 (em se tratando de Buenos Aires era super cedo, pois as festas geralmente começam as 2:00 da madruga). As pessoas chegavam do trabalho ainda de terno e gravatas e iam curtir a balada. Além de Cristian, também foram mais duas figuras que conhecera no hostel: O Cameron, um canadense super gente boa e Martin, se não me engano era noruegues, mas que minha memória não deixa esquecer e o jeito retartado que ele fazia. Gente boa, mas retardado. A única coisa que ele sabia dizer e alto e bom som era “boludo” e fazendo um gesto com a mão direita como se fosse um cozinheiro italiano degustando uma comida e dizendo “mamamia”. Seguimos os 4 para o Museum caminhando pela rua na maior tranquilidade, passamos no banco para sacar uma grana e seguimos rua abaixo. Essa era uma das grandes vantagens de San Telmo, tudo ficava muito próximo. Um grande portão de ferro e uma baita fila nos aguardava, muita gente arrumada, outros com roupas que ainda remetiam seu dia de trabalho. Logo na entrada ganhamos uma dose de energético com vodka e o som da casa, bem como todo o ambiente, era bastante agradável, musica pop/rock bastante dançante, muita gente dançando de forma altamente descontraida. Descobri uma bebida que ainda não havia tomado que pela qual me tornaria fã: a Tekila Sunrice, simplesmente tekila, groselia e suco de laranja, davam um efeito “nascer do sol” à bebida, não só no aspecto mas também no sabor, de ia gradativamente saindo do sabor laranja ao da groselia a medida em que era consumida. Curtimos até quase começarem a varrer a boate, haviam poucas pessoas ainda e rodamos um pouco os andares mais acima para ver o local. Depois de perambular, decidimos ir pra casa, bêbados e pedestres, ainda paramos em um armazem do lado do hostel para tomar a saideira. O lugar era bem característico e o dono, uma figura. Tinha uma voz bem rouca e era muito conversador. Tomamos algumas Quilmes, conversamos um pouco e voltamos para o hostel. Não lembro de como cheguei na cama, sei que foi com meus próprios pés, e nesse meio tempo aprendi mais uma nova palavra em espanhol:
- jayme, estás muy boracho – Dizia Cristian.
Agora eu sabia o que significava o nome de um bar mexicano que tinha em Recife.


Dados

Café Tortoni

Jardim Botânico de Buenos Aires



Zoológico de Buenos Aires

Museum